Análise de tendências e consequências. Previsões por análise de conteúdo e informação publicada. Cenarização estratégica.
domingo, 30 de setembro de 2012
TSU
Não se percebe toda esta gritaria com a TSU.
Não se percebe que os empresários estejam contra a medida.
Não se percebe o recuo do governo na medida.
Senão vejamos:
É óbvio que ao reduzir a taxa social única às empresas se está a diminuir os seus custos operacionais. Com efeito a TSU entra na composição dos custos do trabalho e é um imposto antes de resultados. Como consequência torna mais elevado o custo final dos produtos e portanto diminui a competitividade das empresas portuguesas.
A conclusão que retiro é que a redução deveria ser ainda maior do que a apresentada, para as tornar ainda mais competitivas.
Outra questão e diferente é se a redução da TSU às empresas deveria ser transferida para os trabalhadores e na mesma proporção. Aparentemente, e segundo alguns, a medida acentua a pressão recessiva na economia pela redução do poder de compra dos trabalhadores, simultaneamente consumidores. É verdade. Porém é isso que se pretende, diminuir o poder de compra dos consumidores porque não podemos gastar tanto quanto o fazemos. De forma que a medida será recessiva apenas para as empresas que operem no mercado doméstico que não tenham capacidade de ajustar os seus preços e custos, discriminando positivamente as empresas exportadoras.
Ao reduzir a TSU às empresas criamos um buraco no OGE e portanto teremos de o tapar em algum lado. Se for nas empresas, por exemplo aumentando os impostos sobre os lucros, o Estado vai receber muito menos porque lucros já elas não têm, algumas. Se retiramos aos trabalhadores pela via dos impostos em IRS e outros vamos obter o mesmo efeito mas distribuído pelos pensionistas, entre outros, sem ligarmos a receita directamente à sustentabilidade da Segurança Social.
Em conclusão. na minha opinião a TSU deveria ser reduzida às empresas em pelo menos 8%, como aliás preconiza o FMI desde a assinatura do Memorando de Entendimento. A compensação da perda de receita deverá ser procurada parcialmente nos trabalhadores no activo e em IRC.
O pior e o que não se deve fazer é deixar cair a intenção.
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